Sabia que mastigava e que o sabor era diferente. Não bom. Menos ainda ruim. Apenas diferente.
Experimentou pétala por pétala até que restou apenas o centro e o caule. Verde. Como aqueles olhos que pairavam em sua memória. Verdes como a colina que se estica até o horizonte onde seus olhos castanhos, mel quando bate o sol, podem enxergar.
Verdes como a água do oceano fica quando o mesmo torna-se profundo.
Verdes como sabonete.
Puxou mais uma flor do centro da moita e sentiu o perfume. Pétala por pétala. Cheirou e cheirou. Abraçou a moita como se também por ela pudesse ser abraçado. Sentou-se em um pedaço de terra que manchou sua roupa. Esticou as mãos para trás e sentiu grama por entre os dedos. Mastigou mais uma pétala com um pouco de terra e esperou pelo fim do verão.
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