I want you - Bob Dylan
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Hermenêutica
E, claro...
Não poderia deixar de declarar um carinho mais que especial, com aquele abraço apertado que só quem se ama mesmo sabe dar para o Mario... que hoje perdeu sua cadelinha de estimação, a Hermenêutica, companheira há 9 anos. Força!
Não poderia deixar de declarar um carinho mais que especial, com aquele abraço apertado que só quem se ama mesmo sabe dar para o Mario... que hoje perdeu sua cadelinha de estimação, a Hermenêutica, companheira há 9 anos. Força!
A comédia do coração
As coisas são engraçadas...
Digo isso por esse blog aqui:
começou em uma tristeza, um rancor, mágoa, raiva... tudo de ruim. E agora não... ele está até bobo.
Eu estou meio boba. Comecei triste, emburrada, longe da vontade de viver, de seguir, de ser. Morrendo de amores, de culpa e sofrendo por isso. Todos os dias, horas, minutos e segundos eu passava sentindo falta do cheiro, do toque, da forma e tudo isso acompanhado de ranger de dentes, choro constante, acúmulo de tristeza.
Hoje, no momento em que escrevo essa postagem, me lembro que há um mês vi o objeto ou foco dessa confusão toda passar dentro de um ônibus. Depois de tanto tempo... Por segundos não nos esbarramos. Lembro-me também que chorei. Que senti doer algo que supunha já como superado. Foi o último choro.
Não deixei de amar. Tampouco continuo com raiva ou coisa parecida. Entendi o que o texto "A Comédia do coração" quer dizer com "Na parede entre o quarto do amor e do ódio há uma porta." Estou bem. Sentei-me à soleira dos dois quartos e deixo a paisagem passando. Não tirei da minha vida, apenas reorganizei o espaço onde deixo isso guardado. Fica em uma gaveta diferente, com uma etiqueta diferente.
Ainda penso no cheiro, no toque, na forma, na voz, em tudo, mas não faz mais falta. Dá saudade, mas sem dor. Nem medo.
Ainda me lembro da voz ao telefone e da cara de sono, mas tudo agora é eco.
Talvez, um dia quem sabe, as coisas aconteçam e precisemos passar lado a lado na mesma calçada. Não sei se fingirei não ver ou não conhecer. Não sei se verei em seus olhos um reflexo do passado e se o vir, o que farei. Não sei também o que dizer ou fazer para explicar o que não sei se deve ser explicado. Espero que você saiba, porque se nos encontrarmos, se nos virmos e a calçada não for suficientemente larga para nos afastar, vou pedir que me diga. E vou sorrir para você.
Digo isso por esse blog aqui:
começou em uma tristeza, um rancor, mágoa, raiva... tudo de ruim. E agora não... ele está até bobo.
Eu estou meio boba. Comecei triste, emburrada, longe da vontade de viver, de seguir, de ser. Morrendo de amores, de culpa e sofrendo por isso. Todos os dias, horas, minutos e segundos eu passava sentindo falta do cheiro, do toque, da forma e tudo isso acompanhado de ranger de dentes, choro constante, acúmulo de tristeza.
Hoje, no momento em que escrevo essa postagem, me lembro que há um mês vi o objeto ou foco dessa confusão toda passar dentro de um ônibus. Depois de tanto tempo... Por segundos não nos esbarramos. Lembro-me também que chorei. Que senti doer algo que supunha já como superado. Foi o último choro.
Não deixei de amar. Tampouco continuo com raiva ou coisa parecida. Entendi o que o texto "A Comédia do coração" quer dizer com "Na parede entre o quarto do amor e do ódio há uma porta." Estou bem. Sentei-me à soleira dos dois quartos e deixo a paisagem passando. Não tirei da minha vida, apenas reorganizei o espaço onde deixo isso guardado. Fica em uma gaveta diferente, com uma etiqueta diferente.
Ainda penso no cheiro, no toque, na forma, na voz, em tudo, mas não faz mais falta. Dá saudade, mas sem dor. Nem medo.
Ainda me lembro da voz ao telefone e da cara de sono, mas tudo agora é eco.
Talvez, um dia quem sabe, as coisas aconteçam e precisemos passar lado a lado na mesma calçada. Não sei se fingirei não ver ou não conhecer. Não sei se verei em seus olhos um reflexo do passado e se o vir, o que farei. Não sei também o que dizer ou fazer para explicar o que não sei se deve ser explicado. Espero que você saiba, porque se nos encontrarmos, se nos virmos e a calçada não for suficientemente larga para nos afastar, vou pedir que me diga. E vou sorrir para você.
Not too late - Norah Jones
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Lasqueira...
Bom, esse post aqui é pra avisar aos incautos que meu blog vai virar uma bagaceira total (já era, eu sei, mas vamos fingir que é só a partir desse post aqui).
É porque a coisa funciona da seguinte forma: escrevo bem pra caramba quando estou triste. Quando estou cética, escrevo um excelente texto sofista. Quando estou feliz escrevo bagaceira, como diz o Rafa Rios.
E tenho andado bem feliz nos últimos dias aí. A ponto de querer andar feliz por mais tempo, sacam!? Logo, deixarei bagaceira total essa ferramenta de comunicação que não altera o andamento da vida humana.
Além do mais, estou bastante ansiosa e parei de fumar, o que deixa meus dedos extremamente nervosos, então vou escrever as coisas que passarão pela cabeça oca dessa criaturazinha divina que ainda habita o centro de São Paulo.
Deixo os posts aqui no blog e vocês podem ler e quem não aguentar, bebe leite!
É porque a coisa funciona da seguinte forma: escrevo bem pra caramba quando estou triste. Quando estou cética, escrevo um excelente texto sofista. Quando estou feliz escrevo bagaceira, como diz o Rafa Rios.
E tenho andado bem feliz nos últimos dias aí. A ponto de querer andar feliz por mais tempo, sacam!? Logo, deixarei bagaceira total essa ferramenta de comunicação que não altera o andamento da vida humana.
Além do mais, estou bastante ansiosa e parei de fumar, o que deixa meus dedos extremamente nervosos, então vou escrever as coisas que passarão pela cabeça oca dessa criaturazinha divina que ainda habita o centro de São Paulo.
Deixo os posts aqui no blog e vocês podem ler e quem não aguentar, bebe leite!
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
seis depois
Hoje eu tive duas consultas relativamente significativas com médicos de áreas bem diferentes. Ambos me acompanham há exatos seis meses.
A doutora me parabenizou pela saúde e excelente recuperação em meu delicado caso. Uma vitória (odeio essa palavra...) para mim e uma muito grande para ela, que perdeu uma paciente há seis meses e teve medo de que eu fosse a próxima.
Já o doutor, meu psiquiatra, disse que posso parar com todos os remédios definitivamente. Tudo porque eu fiz as unhas e cortei o cabelo. Pois é... a retomada de minha vaidade era só o que ele esperava para ter certeza de que estou bem e no caminho certo.
Me pediu que eu contasse como foi o final de semana e ao fim da conversa e de muitas risadas (que ele confessou adorar ter presenciado), fui me despedir e marcar uma nova consulta que agora será mais espaçada até que termine a necessidade de análise. Demo-nos um abraço e ele olhou nos meus olhos (acho que corei... ele é um gato!) e disse: você é uma mulher incrível! É antiético te dizer isso mas você simplesmente me encantou. E por toda a sua história e como fico perto de você, dona moça, só tenho uma constatação: você deixa os homens loucos, mulher!
Achei engraçado ele dizer isso e sinto que não possa acontecer nada, mas confesso que fiquei pensando: "deixo os homens loucos" foi no sentido figurado, não foi? rs
A doutora me parabenizou pela saúde e excelente recuperação em meu delicado caso. Uma vitória (odeio essa palavra...) para mim e uma muito grande para ela, que perdeu uma paciente há seis meses e teve medo de que eu fosse a próxima.
Já o doutor, meu psiquiatra, disse que posso parar com todos os remédios definitivamente. Tudo porque eu fiz as unhas e cortei o cabelo. Pois é... a retomada de minha vaidade era só o que ele esperava para ter certeza de que estou bem e no caminho certo.
Me pediu que eu contasse como foi o final de semana e ao fim da conversa e de muitas risadas (que ele confessou adorar ter presenciado), fui me despedir e marcar uma nova consulta que agora será mais espaçada até que termine a necessidade de análise. Demo-nos um abraço e ele olhou nos meus olhos (acho que corei... ele é um gato!) e disse: você é uma mulher incrível! É antiético te dizer isso mas você simplesmente me encantou. E por toda a sua história e como fico perto de você, dona moça, só tenho uma constatação: você deixa os homens loucos, mulher!
Achei engraçado ele dizer isso e sinto que não possa acontecer nada, mas confesso que fiquei pensando: "deixo os homens loucos" foi no sentido figurado, não foi? rs
Make it easy
Em uma conversa ao telefone sexta-feira passada, mencionei de leve minha mãe e depois fiquei pensando em coisas chamadas sentimentos.
Mamãe é muito cristã pras minhas loucuras, e por isso é que somos tão dierentes, mas eu sempre vejo e nunca escondi de ninguém que sou a mesma mãe que ela é. Ou seria, se tivesse filhos.
É engraçado quando ela entra no meu apartamento e torce o nariz para a forma como organizo as coisas. Me lembra quando ela entrava em meu quarto e tirava a camisa xadrez de cima do violão e a calça jeans do encosto da cadeira.
Quando ela se nega a me ajudar a cortar cebola ou algo do tipo, sempre lembro que ela chora todas as vezes que conta que, quando eu tinha 6 anos de idade cheguei da escola, sentei-me à mesa e fui fazer lição de casa. Ela sentou-se ao meu lado e ofereceu ajuda. Eu disse que não precisava, que sabia fazer sozinha e ela foi preparar o jantar chorando de orgulho e de medo da independência precoce.
Sempre que me telefona, diz que está com saudades, mas quando digo para me visitar ela reclama que eu deveria ter mais consideração e ir visitá-la. Eu digo em tom de brincadeira que quem está com saudades é ela, que concorda e me chama de bruta.
É ela que sempre reclama que nunca sei quando o gato está sem ração; que pergunta se tenho feijão congelado porque comer só arroz não alimenta; que fala que comprou uma blusinha que é minha cara...
É mamãe que dá bronca e questiona. Ela que sempre acerta quando é o cara certo. E quando é o errado também. Ela que sabe dobrar as roupas e usar o amaciante na quantidade certa. Ela que diz "eu avisei" e mesmo assim me abraça e deixa chorar. Ela que diz que vai ensinar as pessoas a serem gente, em vez dessas pragas que circulam pelas ruas. Ela que fica com sotaque puxando os "erres" quando tá empolgada demais. Ela que tem a voz mansa e fala baixinho e que olha feio toda vez que solto um palavrão. Ela que quer se mudar para o interior e dormir na rede. Ela que me manda mensagem no celular durante a madrugada pra dizer que sentiu orgulho de me ver no comercial de TV. Ela que sente muito pelos meus erros. Ela que quer netos e cachorro. Ela que quer folga. Ela que quer ser cada vez mais mãe dessa filha da mãe aqui...
Mamãe é muito cristã pras minhas loucuras, e por isso é que somos tão dierentes, mas eu sempre vejo e nunca escondi de ninguém que sou a mesma mãe que ela é. Ou seria, se tivesse filhos.
É engraçado quando ela entra no meu apartamento e torce o nariz para a forma como organizo as coisas. Me lembra quando ela entrava em meu quarto e tirava a camisa xadrez de cima do violão e a calça jeans do encosto da cadeira.
Quando ela se nega a me ajudar a cortar cebola ou algo do tipo, sempre lembro que ela chora todas as vezes que conta que, quando eu tinha 6 anos de idade cheguei da escola, sentei-me à mesa e fui fazer lição de casa. Ela sentou-se ao meu lado e ofereceu ajuda. Eu disse que não precisava, que sabia fazer sozinha e ela foi preparar o jantar chorando de orgulho e de medo da independência precoce.
Sempre que me telefona, diz que está com saudades, mas quando digo para me visitar ela reclama que eu deveria ter mais consideração e ir visitá-la. Eu digo em tom de brincadeira que quem está com saudades é ela, que concorda e me chama de bruta.
É ela que sempre reclama que nunca sei quando o gato está sem ração; que pergunta se tenho feijão congelado porque comer só arroz não alimenta; que fala que comprou uma blusinha que é minha cara...
É mamãe que dá bronca e questiona. Ela que sempre acerta quando é o cara certo. E quando é o errado também. Ela que sabe dobrar as roupas e usar o amaciante na quantidade certa. Ela que diz "eu avisei" e mesmo assim me abraça e deixa chorar. Ela que diz que vai ensinar as pessoas a serem gente, em vez dessas pragas que circulam pelas ruas. Ela que fica com sotaque puxando os "erres" quando tá empolgada demais. Ela que tem a voz mansa e fala baixinho e que olha feio toda vez que solto um palavrão. Ela que quer se mudar para o interior e dormir na rede. Ela que me manda mensagem no celular durante a madrugada pra dizer que sentiu orgulho de me ver no comercial de TV. Ela que sente muito pelos meus erros. Ela que quer netos e cachorro. Ela que quer folga. Ela que quer ser cada vez mais mãe dessa filha da mãe aqui...
Make it easy - Mallu Magalhães
Imensidão
Imensidão que não se explica em pena e papel.
Imensidão do corpo que caminha descalço para a margem do lago. Do cabelo que ao ser solto chacoalha junto com o vento. Das mãos delicadas e leves que desabotoam a camisa branca de sutil transparência e a escorregam pelos braços até que também toque o chão de folhas e terra aos pés do corpo. Da agilidade dos dedos no desabotoar do jeans azul escuro que passa por toda a extensão das pernas macias.
Imensidão da renda azul desabotoada nas costas deixando a alça escorregar pelo ombro. Da renda azul que, sendo mais suave do que jeans, acaricia as mesmas pernas macias.
Imensidão do choque da água gelada contra a pele quente que se desprende do corpo e se funde com as ondulações. Do peso da cachoeira que cai nos ombros e afunda os pés no solo de terra derretida. Da visão transparente onde não se pode respirar. Do cabelo que se espalha na água; das bolhas feitas de ar.
Do corpo que emerge e da pele que se arrepia. Dos seios alvos e redondos assumindo coloração rósea ao serem fustigados pelo vento forte e frio. Do corpo lânguido e molhado caminhando de volta às folhas. Da renda azul em contraste com a pele clara. Da camisa transparente colando na pele molhada. Do jeans na mão direita, da mochila nas costas, do caminhar sob as sombras das árvores e do arrepio na alma com o apito do trem...
Imensidão do corpo que caminha descalço para a margem do lago. Do cabelo que ao ser solto chacoalha junto com o vento. Das mãos delicadas e leves que desabotoam a camisa branca de sutil transparência e a escorregam pelos braços até que também toque o chão de folhas e terra aos pés do corpo. Da agilidade dos dedos no desabotoar do jeans azul escuro que passa por toda a extensão das pernas macias.
Imensidão da renda azul desabotoada nas costas deixando a alça escorregar pelo ombro. Da renda azul que, sendo mais suave do que jeans, acaricia as mesmas pernas macias.
Imensidão do choque da água gelada contra a pele quente que se desprende do corpo e se funde com as ondulações. Do peso da cachoeira que cai nos ombros e afunda os pés no solo de terra derretida. Da visão transparente onde não se pode respirar. Do cabelo que se espalha na água; das bolhas feitas de ar.
Do corpo que emerge e da pele que se arrepia. Dos seios alvos e redondos assumindo coloração rósea ao serem fustigados pelo vento forte e frio. Do corpo lânguido e molhado caminhando de volta às folhas. Da renda azul em contraste com a pele clara. Da camisa transparente colando na pele molhada. Do jeans na mão direita, da mochila nas costas, do caminhar sob as sombras das árvores e do arrepio na alma com o apito do trem...
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Equinócio de primavera
Bom, esse post é até indecente por ser tão curto, mas preciso dizer que a primavera me traz um vigor, uma coisa nova. O outono carregou as folhas mortas, o inverno secou tudo e a primavera vem para florescer.
Não é um equinócio na minha vida porque nada será igual e a única coisa que terá a mesma duração será a felicidade que não vou fazer efêmera, e sim eterna. Ou pelo menos tão eterna quanto eu mesma posso ser.
Deixo os melhores votos para os primaveris casais (#fikdik), para os primaveris amigos e para as primaveris manhãs de domingo, com desenho de giz no chão da calçada, fotografia do sol se pondo e todo o amor que existir...
E agora, senhores, com licença pois tenho que fazer malas, malinhas e maletas.
Bolsas, bolsinhas e...
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Para entrar no clima
Tá pensando no que eu to pensando, ô do bourbon?
Sweet little angel - B.B. King
avec moi, avec moi, avec moi ce soir.................................
E eu que comecei esse mês no maior clima "Wake me up when september ends" to no maior estilo "Voulez- vous coucher avec moi, ce soir?"
E posso afirmar com uma felicidade absurda que as coisas estão passando e que dá sim pra não brigar mais com o céu porque faz sol.
E posso afirmar com uma felicidade absurda que as coisas estão passando e que dá sim pra não brigar mais com o céu porque faz sol.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Re-comendo
Mais do que recomendo esse blog, esse artista e essa pessoa genial que é o Maurício Eloy.
Beijos e beijos e beijos gigantenormes com um abraço ao contrário e uma mordida na pizza de inveja da Pagú e nos arranhões do Lautrec. ;)
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Bordeaux
"Dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim"
Os abraços hão de ser milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim"
Trecho de 'Chega de saudade' de Vinícius de Moraes
Escultura em relevo de Nicéas Romeo Zanchett.
Você é tão bonita... e essa fala mansa me contando sobre você... ah! Você é tão Yin... e tão Yang ao mesmo tempo... você transcende... quer ser minha namorada? Não ria! O pedido é sério. Sou bem mais velho, eu sei, mas você não se importa, não é? Vai rir o tempo todo? Tudo bem, você fica mais linda quando sorri... e sua gargalhada parece que enche esse apartamento. Cante-me aquela música em francês? Aquela em que você diz 'Oui, je suis ta lover...'.Gosto dessa voz de veludo meio rouca, meio sedosa... tão melodiosa... Você gosta de mim? A gente se gostou desde aquele dia com os livros, não foi? Você é tão atrapalhada! Não se ofenda, por favor... você é... e é tão segura ao mesmo tempo... Yin e Yang, água e fogo, terra e ar, madeira e metal... e seu cabelo espalhado assim nesse travesseiro... vem mais perto, me dá um abraço? Gosta de jazz? Sabia! Você tem cara de quem adora jazz! De onde você saiu? Tão linda... tão perfeita... não balance a cabeça desse jeito! Você é sim e sabe disso! Seja minha? Não só agora... você odeia essa idéia de posse, não é? Não me deixe nesse monólogo! Então já sei! Não seja minha. Esteja minha. Comigo? E esses olhos? Me deixam te ver tão bem... Me abrace. Vamos dormir? Boa noite. Amanhã, quando acordarmos, você será minha namorada e eu seu namorado e deixo você trazer toda a sua vida para cá. Eu sei... você já disse que tem muita parte ruim e que quase não tem móveis em seu apartamento, mas traga tudo porque isso também é você. Seremos dois artistas boêmios perdidos nessa metrópole. Seremos dois amantes e dois amigos. Seremos você, eu, Toulouse Lautrec, Pagú e Espinosa.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Put your hands on me...
Os digníssimos doutores advogados da minha loucura atestam, para os devidos fins que absolutamente tudo o que foi dito e/ou feito durante esse final de semana pela pessoa que vos escreve deve ser considerado como fruto de uma felicidade dionisíaca provocada pelo néctar dos deuses.
Nesse parágrafo está incluso o pedido de sigilo absoluto e/ou informação diretamente à causadora dos atos passados neste curto período.
Grata,
"Put your hands on me baby
You got me flipping
One more time
Put your hands on me baby
Put your hands on me baby
One taste I'm trippin"
You got me flipping
One more time
Put your hands on me baby
Put your hands on me baby
One taste I'm trippin"
- Put your hands on me - Joss Stone
para o par de óculos sob os cabelos cacheados...
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Poco allegro, con affetto
Franz Liszt - Liebestäume
”Gestorben war ich”
“O lieb, so Lang Du lieben kannst”
“O lieb, so Lang Du lieben kannst”
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Metamórphosis
A melancolia cede lugar ao caos diário e envolta em pensamentos me pego verificando notáveis mudanças a respeito do que suponho ser eu mesma.
Tudo o que julgo, julgava ou julgarei maior do que eu tornar-se-á sempre do tamanho correto para carregar dentro da mala que chamamos vida.
Nada passa. Não com a velocidade necessária para que evitemos sofrimentos e dores. O subconsciente tem plena consciência de sua existência, mas sua generosidade o impede de trazer à tona todas as memórias que lhe cabe guardar.
Surpreendo-me constantemente ao perceber que todas as palavras estão gastas, por mais raras que possam parecer aos meus ouvidos. Todos os gestos já foram feitos e somente resta-me emudecer ante sua presença. Nada a ser dito, como da primeira vez, quando desejava recordar todos os segundos. Nada a ser feito, como da primeira vez, quando desejava esquecer todos os cheiros.
O que deverei fazer? Sou parte dessa importância concreta e informal de uma vida que não é minha, nunca foi e não será. Serei estampa? Serei som?
Serei algo dentro dessa metamorfose na qual me vejo porém não me reconheço?
Desejo
Todo querer se origina da necessidade, portanto, da carência, do sofrimento. A satisfação lhe põe um termo; mas para cada desejo satisfeito, dez permanecem irrealizados.
Além disto, o desejo é duradouro, as exigências se prolongam ao infinito; a satisfação é curta e de medida escassa. O contentamento finito, inclusive, é somente aparente: o desejo satisfeito imediatamente dá lugar a outro; aquele já é uma ilusão conhecida, este ainda não. Satisfação duradoura e permanente objeto algum do querer pode fornecer; é como uma caridade oferecida a um mendigo, a lhe garantir a vida hoje e prolongar sua miséria ao amanhã.
Por isto, enquanto nossa consciência é preenchida por nossa vontade, enquanto submetidos à pressão dos desejos, com suas esperanças e temores, enquanto somos sujeitos do querer, não possuiremos bem-estar nem repouso permanente. Caçar ou fugir, temer desgraças ou perseguir o prazer, é essencialmente a mesma coisa; a preocupação quanto à vontade sempre exigente, seja qual for a forma em que o faz, preenche e impulsiona constantemente a consciência; sem repouso, porém, não é possível nenhum bem-estar.
Destarte, o sujeito da vontade está constantemente preso à roda de Ixion, colhe continuamente pelas peneiras das Danaides, constitui o eternamente supliciado Tântalo. Contudo, quando um estímulo exterior, ou uma disposição interior, nos arranca da torrente infinita do querer, libertando o conhecimento do serviço da vontade, a atenção não é mais dirigida para os motivos do querer, compreendendo as coisas livres de sua relação com a vontade, examinando-as sem interesse, sem subjetividade, de modo estritamente objetivo, abandonando-se a elas como representações e não como motivos; então se apresenta de um golpe aquele repouso, que tanto se buscou por aquela primeira via, instituindo um bem-estar total.
É o estado sem sofrimento, estimado por Epicuro como o mais elevado dos bens e como o estado dos deuses. Pois estamos a todo o momento livres do impertinente jugo da vontade, festejamos o sábado do trabalho forçado do querer, a roda de Ixion está em repouso.
Schopenhauer, O mundo como vontade e representação.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
une fleur est une fleur, já disse...
Me peguei pensando sobre o que não deveria.
Não que não deva, apenas não sei em que me acrescenta...
Curiosamente, estava pensando sobre o que escrevi no email e que dizia: "me senti um pouco mentirosa..."
Que engraçado! De tantas coisas que eu poderia mentir como nome, endereço, idade, signo, preferências gastronômicas e musicais, me senti mentirosa por causa do comprimento do cabelo...
Poderia dizer que meu livro preferido é outro e não esse, que durmo normalmente e não penso sobre você em vez de assumir que estou deveras curiosa.
Poderia também negar minha ligeira insanidade e apresentar só as partes boas que possuo (se é que possuo alguma).
Mas não... me dei a oportunidade de mentir apenas o que considero banal.
Mas me dei essa oportunidade porque enquanto refletia, percebi que também te dou a oportunidade. De mentir e de não acreditar em absolutamente nada do que digo e/ou faço.
Sou a negação de mim mesma e que essa seja uma verdade quase absoluta, mas que também fique claro, muito claro que acredito que uma Rosa ainda seja uma Rosa ainda que chamada de Camélia. É apenas uma questão de gostar das cores e do perfume que as flores trazem...
Come away with me - Norah Jones
"Come away with me and we'll kiss"
Não que não deva, apenas não sei em que me acrescenta...
Curiosamente, estava pensando sobre o que escrevi no email e que dizia: "me senti um pouco mentirosa..."
Que engraçado! De tantas coisas que eu poderia mentir como nome, endereço, idade, signo, preferências gastronômicas e musicais, me senti mentirosa por causa do comprimento do cabelo...
Poderia dizer que meu livro preferido é outro e não esse, que durmo normalmente e não penso sobre você em vez de assumir que estou deveras curiosa.
Poderia também negar minha ligeira insanidade e apresentar só as partes boas que possuo (se é que possuo alguma).
Mas não... me dei a oportunidade de mentir apenas o que considero banal.
Mas me dei essa oportunidade porque enquanto refletia, percebi que também te dou a oportunidade. De mentir e de não acreditar em absolutamente nada do que digo e/ou faço.
Sou a negação de mim mesma e que essa seja uma verdade quase absoluta, mas que também fique claro, muito claro que acredito que uma Rosa ainda seja uma Rosa ainda que chamada de Camélia. É apenas uma questão de gostar das cores e do perfume que as flores trazem...
"Come away with me and we'll kiss"
Os Embusteiros
Apresentam-se sempre em um grupo de quatro pessoas: três cavalheiros e uma formosa dama.
Cotidianamente buscam bailes de máscaras onde possam se mesclar aos demais convidados para bebericar de seus drinks e encontrar abrigos provisórios para armação de seus novos truques.
Os cavalheiros, sempre muito bem penteados e trajando terno risca-de-giz vestem máscara negra e sóbria. Sobre os lábios, fino bigode.
A dama, de vestido preto sem alças, longo, colado ao corpo, com fenda na perna direita veste máscara escarlate em conjunto com o batom. Cabelos escuros e curtos. Quase batidos na nuca. Salto fino e elegante.
Enredam histórias enquanto giram suas taças e convencem até mesmo o mais perspicaz dos advogados ou detetives. São mestres na arte teatral.
Ela com seu olhar malicioso por tráz da máscara rendada tem sempre um café crème para oferecer ao cavalheiro que lhe der a jóia mais bonita. Um bom perfume, uma umedecida nos lábios e já possui os maiores diamantes.
Eles, com seus sorrisos de canto de boca, um belo bailado e uma rosa em botão derretem qualquer donzela de belos dotes e bom gosto.
Esse é o trabalho que a vida se incumbiu de dar-lhes: o dom do embuste.
Todas as vezes em que as estrelas ameaçam se apagar e o sol se impõe na linha horizontal de suas noitadas, eles calmamente caminham até o beco mais próximo. Ela quebrando o quadril para os lados e eles jogando os ombros e segurando os ternos às costas. Dividem suas conquistas entre si, prometem telefonar-se e cada um segue seu rumo, seja pela Augusta, pela Angélica, ou pela Consolação...
terça-feira, 6 de setembro de 2011
06/09 - sex day
Jesus Gómez Costa
Carruço
Carruço
Carruço
Toulouse Lautrec
Toulouse Lautrec
Michael von Zichy
Oskar Kokoschka
Egon Schiele
Natalie Watson
Miyakawa Choshun
Utamaro Kitagawa
E para que as nuvens estourem não é preciso amor, principalmente para os homens.
A grande maioria dos homens separa muito bem amor e desejo.
Há, sim, como desejar, e muito, sem amar.
Sexo é prazer. Ponto. Sexo sem carinho é prazer. Sexo com carinho é muito prazer. Sexo com amor é quase uma experiência mística.
Talvez por isso as mulheres (grande parte) não conseguem separar, como os homens, sexo e amor.
Parece que as mulheres sentem o prazer sexual de uma forma diferente, uma espécie de prazer psicológico muito forte, na consciência do desejo. O que não quer dizer que elas devem abrir mão do prazer físico.
É lindo ver uma mulher durante o orgasmo.
É lindo ver o êxtase, o torpor, o abandono a que elas se entregam.
A mulher, quando atinge o orgasmo, sente a terra se mover.
A mulher, quando goza, tem sua alma expandida; seu corpo inteiro é sensação. Por isso, de alma expandida, com o corpo inteiro sentindo a si mesma, ao homem, a terra e ao céu, é tão fácil para a mulher o recomeço, a continuidade.
O homem, quando goza, é triste.
É triste porque é término.
É triste porque ele não pode se abandonar a si mesmo, pois se cobra o recomeço. E o recomeço não é tão imediato.
O homem separa muito bem amor e desejo.
Mas o homem, por ser triste o orgasmo masculino, por ser vazio comparado ao da mulher, precisa bem mais do carinho, do amor.
É no carinho, ou no amor, refletidos no abraço, no aconchego após o orgasmo, que o homem pode completar seu caminho para as nuvens.
Sem carinho, sem amor, depois que goza, o homem fica no limbo. Nem toca a terra, nem atinge o céu.
E é o carinho, ou o amor, que tornam, para o homem, mais fácil o renascer do desejo.
O amor é lascivo, se excita com a lembrança, com o pensamento, com o cheiro. O amor antecipa o toque.
O desejo mora na ponta dos dedos, e o amor no abraço dos olhos.
O amor abraça, acolhe, conforta e aquece com o olhar. O olhar do amor percorre a espinha e arrepia, desnuda o desejo e excita.
O amor não veste roupa e vai embora. Ele deita e deixa o corpo secar na quentura do outro corpo.
Mas não é fácil conciliar amor e desejo.
Quando se tem carinho por quem se tem desejo, já é uma conquista.
Mas o fato é que o amor intensifica o desejo.
O amor é o desejo que contraria o desejo de não desejar.
O homem nunca vai abrir mão do desejo, com ou sem carinho, com ou sem amor.
A mulher não deve abrir mão do desejo, mesmo com carinho, mesmo com amor.
Nem sempre se acha o amor, ao esbarrar com o desejo.
Mas o desejo vem de carona com o amor.
O desejo é a pele do amor. "
Steller de Paula
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
eu e a caixinha... eu e a caixinha...
Uma caixinha de madeira com o entalhe de uma flor na tampa. De um tamanho que cabe na palma das mãos unidas. Uma caixinha onde antes guardava anéis e um colar. Agora guarda o que mais amo em todo o mundo e em toda essa vida.
Como pode algo tão grandioso caber em uma caixinha? Como posso permitir que caiba?
Talvez por medo ou por não reconhecer a importância real disso, escondo. Está escondido debaixo da terra. Sim, enterrei a caixinha que guarda a importância mais preciosa para mim.
Para que ninguém sequer ouse se aproximar. Porque é meu e me dou o direito do egoísmo.
Minha caixinha forrada de veludo azul. Sabe-se lá que cor tem a caixinha agora. Talvez o veludo já tenha se desprendido como todas as coisas se desprendem de tudo em algum momento. Como hei de me desprender da caixinha em alguma vida.
Como hei de me desprender da vida em alguma caixinha.
Ah...! Como gostaria que a "Pedrolândia" também existisse para mim. Como gostaria de fazer como meu aluno que quando se cansa de aprender as cores ou está com vergonha ou simples cansaço, cobre o rosto com as mãos tão pequeninas e se transporta para seu reino particular. Também eu gostaria de ser invisível quando precisasse. Mas nunca, nunca seria invisível para a minha caixinha.
Nem ela para mim. Seria eu a rainha de meu próprio universo onde abriria a caixinha e deixaria a preciosidade tomar a vida que merece. Deixaria que fosse a jóia. Não de minha coroa, mas de minha vida.
Desprenderia o veludo azul para cobrir e proteger a jóia. Cantaria para ela. Mais do que contar histórias e cores, encheria de cores a história da caixinha. Seria eu a caixinha a guardar e amar a coisa com a qual mais me importo.
Isso! Não precisaríamos de mais nada. Apenas eu, a caixinha e todo o amor que se embola na gargnta agora... eu e a caixinha... eu e a caixinha...
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