When I was younger so much younger than today...
Em uma releitura de nossas próprias vidas, com rabiscos, rascunhos, buracos e remendos, todos sentimos como se o hoje fosse algo extremamente tardio. Quantos amigos, amores, amantes já não passaram por nossos braços e se foram? Quantos já ficaram? Quantos mais passarão?
Quando em uma reunião de ideologias e carinhos que se combinam o que mais marca as mentes e salta aos olhos é a saudade, o sinal é de que há tempos que o tempo passa.
O corpo envelhece e se cansa. A mente se abre ou se fecha cada vez mais e também se cansa. Quantos rostos que não via há muito estão marcados pelo tempo?
Quantos amigos meus tinham rugas quando os conheci? Poucos, com certeza.
Será que tenho rugas também e meu espelho me engana?
Quantas canções que tornaram-se verdadeiros hinos nos primeiros anos de nossa juventude hoje são consideradas clássicos ou mesmo já não tocam mais em rádio alguma?
Que levantem a mão aqueles que já quiseram ter o cabelo do John Lennon ou mesmo dar os gritinhos afinados da Gal Costa. Ok... não precisamos ir tão longe... Quem já babou pelo Pearl Jam? Ou, sei lá... curtiu o Nick dos Backstreet Boys num pôster na parede do quarto? Legião Urbana, galera... todo mundo já levantou os braços e cantou com o âmago a canção "Pais e filhos"... Vai... todos sabemos que já fizemos isso...
Alguns colecionavam chiclete dos Menudos... hahahahahahaha
Que fique claro como água que eu não ouvia Menudos nem Backstreet...
E hoje, o que fazemos? Levante a mão quem já tem filhos.
Ufa! Ninguém. Rs!
Mas por que isso acontece??
Porque o hoje viver nos consome com trabalho e ocupações. Porque as contas se amontoam na caixa de correio e os amigos ficam soterrados pelos emails cheios de compromissos...
Quais eram mesmo os planos?
Ah, verdade! Montar uma banda com fulano e fulano nas guitarras, o fulaninho tímido no baixo, a fulana agitada sonhava em ser baterista (sabia até girar as baquetas nos dedos) e o carinha bonitinho queria cantar e ganhar todas as menininhas.
Os outros planos eram viajar, ver gente, se apaixonar por um André (segundo a Fla, toda mulher já se apaixonou por um cara chamado André e se não se apaixonou ainda, vai se apaixonar algum dia), ficar com o corpo x ou y, fazer a faculdade mais legal do planeta e virar hippie.
Não necessariamente nessa ordem, claro.
Bom, já me apaixonei por alguns Andrés, já viajei e quero mais, tenho um corpo x ou y, faço uma faculdade legal e sou quase hippie. Mas estou sozinha nessa, manolada!
Onde ficaram os amigos?
Bem... alguns estão fazendo estágio em algum banco de greve, outros fazem cursinho (ainda?????????????????? Aaaaham...), outros casaram com os primeiros que apareceram e desapareceram...
Enfim... estão todos espalhados. E as músicas, as bandas, o cabelo do John e os hippies ficaram para outros planos mais conhecidos como "momento de relembrar no meio de um feriado no apê de alguém".
Sinceramente sinto falta de tudo isso ou tudo aquilo, não sei. Gosto de como minha vida seguiu, mas sinto falta meeeeeeeeeeeeeeeeeessssssssssssssssmo!!!!!!!!!
E não adianta, porque todas as reuniões que rolarem durante nossas vidas terão um momento onde prometeremos nos reunir e fazer tudo o que queríamos, mas as contas e os emails continuarão acumulados e os telefones não tocarão tão cedo..........
Beijos para todos que estiveram relembrando comigo as coisas malucas e divertidas dessa vida curta. Por favor, não sejamos niilistas, não é mesmo!? Sempre tem um pedaço de mato esperando toalha xadrez e um violão pedindo pra ter sua corda mi estourada em uma tentativa de solo de rock... Ainda vale a pena. Vale mesmo. Nós provamos isso ontem. Podemos provar para sempre.
Enquanto isso não contece, Let it be... fazer o quê... a gente vai levando essa vida como se fosse música de Roberto Carlos cantada no auge da bebedeira e rindo com chapéu de lado até que a hora de reunir todo mundo de novo por toda a eternidade chegue. Aliás, que fique claro que por culpa do Ken usando vestido, vamos todos nos reunir no inferno, que esperamos, seja open bar!