segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Let's go and let it be

Partir. Ir embora. Sair. Depois de ir do quinto para o sétimo andar e depois para o quinto, dessa vez em um prédio de lustres, chega a hora de ir embora novamente. Embora para o bom e velho desconhecido. Para a incerteza das novas tentativas. Let's go. Hora de ir. Até breve, Consolação. Nos vemos em outro momento.










Pequenas lembranças que vou levar. De todos os Cabaret Revoltaire, Beatles, Augusta, amigos, saraus, Taverna da Sereia... enfim. Todo de tudo.

In my life - The Beatles

Criminal

Edge of the world - Faith no more

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Ars longa, Vita brevis

"Fazer" Arte é dar à luz o fruto de uma gravidez indesejada - porém muito querida - surgida da união de necessidades que, intimamente envolvidas, produziram um novo ser.
Células de referências se aglomeram no útero das idéias e aos poucos se dividem e se multiplicam, formando uma esfera que se une à parede do desejo de construir o novo e aos poucos passa a desenvolver-se, sempre nutrida por sentimentos, angústias e desejos que passam através do canal da criação.
Docemente aninhada em uma confortável escuridão, a idéia cresce ajustando-se ao corpo que se ajusta à ela, ansiosa por desenvolver membros, órgãos e tecidos, até que em algum momento, começa a movimentar-se para melhor acomodação em seu espaço tão pequeno e limitado.
É aí que o artista se assusta: primeiro vem o choque de ter algo diferente e ao mesmo tempo tão igual a si próprio movendo-se em suas entranhas. Depois o relaxamento, a alegria e até mesmo comoção diante da incrível magnitude que aquele ser tão pequeno demonstra possuir.
No entanto, se a gestação vinga, mais cedo ou mais tarde é chegada a hora do nascimento.
As primeiras contrações podem ser sentidas a qualquer momento do dia ou da noite. Doem tão intensamente que não se sabe ao certo onde começam.
Além das contrações, vem um tremor que se espalha por todo o corpo, começando pela nuca. O suor escorre pelas costas e os olhos quase não conseguem manter-se abertos.
A respiração fica difícil e o peito se aperta com a vontade de segurar a mão de alguém, mas tudo o que se vê são luzes acima da cabeça, que passam velozes nos corredores da mente.
Por fim, quando parece que o corpo vai sucumbir, tamanha a dor que se sente, algo lá embaixo se rompe de forma tão dolorosa que a face transfigura-se em máscara retorcida e os dentes mordem os lábios para que o grito seja contido, enquanto o corpo todo se abre em flor e aquilo que era idéia, vê a claridade da vida pela primeira vez.
A dor cessa instantaneamente e um choro sentido, vindo do artista, ecoa mais alto que o de sua criação enquanto se abraçam e se amam.
Nesse mesmo instante, percebe-se que as lágrimas são de felicidade e tristeza, pois tanta dor, tanta apreensão e tantos cuidados não serão exclusivos de alguém... serão do mundo. Como todo bom filho também é...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Música de Roberto Carlos

When I was younger so much younger than today...

Em uma releitura de nossas próprias vidas, com rabiscos, rascunhos, buracos e remendos, todos sentimos como se o hoje fosse algo extremamente tardio. Quantos amigos, amores, amantes já não passaram por nossos braços e se foram? Quantos já ficaram? Quantos mais passarão?
Quando em uma reunião de ideologias e carinhos que se combinam o que mais marca as mentes e salta aos olhos é a saudade, o sinal é de que há tempos que o tempo passa.
O corpo envelhece e se cansa. A mente se abre ou se fecha cada vez mais e também se cansa. Quantos rostos que não via há muito estão marcados pelo tempo?
Quantos amigos meus tinham rugas quando os conheci? Poucos, com certeza.
Será que tenho rugas também e meu espelho me engana?
Quantas canções que tornaram-se verdadeiros hinos nos primeiros anos de nossa juventude hoje são consideradas clássicos ou mesmo já não tocam mais em rádio alguma?
Que levantem a mão aqueles que já quiseram ter o cabelo do John Lennon ou mesmo dar os gritinhos afinados da Gal Costa. Ok... não precisamos ir tão longe... Quem já babou pelo Pearl Jam? Ou, sei lá... curtiu o Nick dos Backstreet Boys num pôster na parede do quarto? Legião Urbana, galera... todo mundo já levantou os braços e cantou com o âmago a canção "Pais e filhos"...  Vai... todos sabemos que já fizemos isso...
Alguns colecionavam chiclete dos Menudos... hahahahahahaha
Que fique claro como água que eu não ouvia Menudos nem Backstreet...
E hoje, o que fazemos? Levante a mão quem já tem filhos.
Ufa! Ninguém. Rs!
Mas por que isso acontece??
Porque o hoje viver nos consome com trabalho e ocupações. Porque as contas se amontoam na caixa de correio e os amigos ficam soterrados pelos emails cheios de compromissos...
Quais eram mesmo os planos?
Ah, verdade! Montar uma banda com fulano e fulano nas guitarras, o fulaninho tímido no baixo, a fulana agitada sonhava em ser baterista (sabia até girar as baquetas nos dedos) e o carinha bonitinho queria cantar e ganhar todas as menininhas.
Os outros planos eram viajar, ver gente, se apaixonar por um André (segundo a Fla, toda mulher já se apaixonou por um cara chamado André e se não se apaixonou ainda, vai se apaixonar algum dia), ficar com o corpo x ou y, fazer a faculdade mais legal do planeta e virar hippie.
Não necessariamente nessa ordem, claro.
Bom, já me apaixonei por alguns Andrés, já viajei e quero mais, tenho um corpo x ou y, faço uma faculdade legal e sou quase hippie. Mas estou sozinha nessa, manolada!
Onde ficaram os amigos?
Bem... alguns estão fazendo estágio em algum banco de greve, outros fazem cursinho (ainda?????????????????? Aaaaham...), outros casaram com os primeiros que apareceram e desapareceram...
Enfim... estão todos espalhados. E as músicas, as bandas, o cabelo do John e os hippies ficaram para outros planos mais conhecidos como "momento de relembrar no meio de um feriado no apê de alguém".
Sinceramente sinto falta de tudo isso ou tudo aquilo, não sei. Gosto de como minha vida seguiu, mas sinto falta meeeeeeeeeeeeeeeeeessssssssssssssssmo!!!!!!!!!
E não adianta, porque todas as reuniões que rolarem durante nossas vidas terão um momento onde prometeremos nos reunir e fazer tudo o que queríamos, mas as contas e os emails continuarão acumulados e os telefones não tocarão tão cedo..........

Beijos para todos que estiveram relembrando comigo as coisas malucas e divertidas dessa vida curta. Por favor, não sejamos niilistas, não é mesmo!? Sempre tem um pedaço de mato esperando toalha xadrez e um violão pedindo pra ter sua corda mi estourada em uma tentativa de solo de rock... Ainda vale a pena. Vale mesmo. Nós provamos isso ontem. Podemos provar para sempre.

Enquanto isso não contece, Let it be... fazer o quê... a gente vai levando essa vida como se fosse música de Roberto Carlos cantada no auge da bebedeira e rindo com chapéu de lado até que a hora de reunir todo mundo de novo por toda a eternidade chegue. Aliás, que fique claro que por culpa do Ken usando vestido, vamos todos nos reunir no inferno, que esperamos, seja open bar!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Petite, pourquoi?

Petite - Bensé et Rose

Je suis en vie, je suis heureux

Quand je marche - Bensé

Pérolas

São as gotas peroladas.
As gotas sim. Caindo lá de cima. Mas não olhe para baixo.
Não queremos ver o ferro fundido tão líquido quanto as pérolas rosadas. Não queremos vê-lo caindo em nossas costas. Vermelho, quente. Repousando com sua frieza metálica nas vértebras em formato de cuia.
As gotas salgadas de pérolas que já foram areia molhada pelo mar. Beijada pelo mar. Guardada e escondida em conchas escuras e úmidas para que pudessem ser transformadas em delicadas pedras.
Quanto tempo precisaram se esconder? Como respiravam?
E agora, por que escorrem em mim? Por que se dão ao trabalho de cobrir meu corpo com a fina camada brilhante e rosada? Por que me aquecem com o brilho metálico o ferro fundido e o resto de ouro em pó?
Nadam todos em meus sonhos em bailados suaves e frenéticos, alternando-se entre si com seus brilhos e suas cores e a audácia de tentarem me fazer sorrir.
Como podem em mim ter se escondido e agora revelam-se aos poucos?
Fui eu também uma concha? Um útero silencioso de pérolas rosadas aguardando o momento certo de seu surgimento, como as tartaruguinhas escapam de sua cova na areia quente e correm para o mar...!?
Sejam minhas e sejam suas e de quem for. Sejam pérolas. E que o ferro em meus ossos, em minhas vértebras, sirva para sustento de minha mente, câmara geradora de pérolas rosadas, fundidas em aço e ouro em pó por toda a minha própria eternidade.