Tudo se resume ao desaparecimento.
Quando as férias chegam, o que se quer é descansar.
Mas descansar de quê? De uma rotina?
Não... pois mesmo no descanso uma nova rotina se estabelecerá.
Descansar de si mesmo?
Talvez. É preciso assumir uma nova identidade, mais tranquila, despreocupada, livre e solta do que a dos dias normais de caos e correria.
Por isso desapareço.
Desapareço da vida social, dos amigos normais que também desapareceram com a chegada das férias, do trabalho, de mim mesma.
Esqueço as palavras complicadas e a escrita rebuscada. Calço chinelos e uso vestido. Tudo para me largar em uma rede e ver um fim de tarde.
Tenho medo das férias.
Medo de não querer voltar delas. De me entregar ao ócio e me perder nele. Mas tenho mais medo ainda de perceber quantas férias já tive na vida e que isso é pouco comparado ao tempo em que estive ocupada, mas é muito, comparado à forma como o tempo tem passado velozmente para mim.
Tenho medo de que esteja se aproximando o dia em que entrarei em férias eternas...
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