"Fazer" Arte é dar à luz o fruto de uma gravidez indesejada - porém muito querida - surgida da união de necessidades que, intimamente envolvidas, produziram um novo ser.
Células de referências se aglomeram no útero das idéias e aos poucos se dividem e se multiplicam, formando uma esfera que se une à parede do desejo de construir o novo e aos poucos passa a desenvolver-se, sempre nutrida por sentimentos, angústias e desejos que passam através do canal da criação.
Docemente aninhada em uma confortável escuridão, a idéia cresce ajustando-se ao corpo que se ajusta à ela, ansiosa por desenvolver membros, órgãos e tecidos, até que em algum momento, começa a movimentar-se para melhor acomodação em seu espaço tão pequeno e limitado.
É aí que o artista se assusta: primeiro vem o choque de ter algo diferente e ao mesmo tempo tão igual a si próprio movendo-se em suas entranhas. Depois o relaxamento, a alegria e até mesmo comoção diante da incrível magnitude que aquele ser tão pequeno demonstra possuir.
No entanto, se a gestação vinga, mais cedo ou mais tarde é chegada a hora do nascimento.
As primeiras contrações podem ser sentidas a qualquer momento do dia ou da noite. Doem tão intensamente que não se sabe ao certo onde começam.
Além das contrações, vem um tremor que se espalha por todo o corpo, começando pela nuca. O suor escorre pelas costas e os olhos quase não conseguem manter-se abertos.
A respiração fica difícil e o peito se aperta com a vontade de segurar a mão de alguém, mas tudo o que se vê são luzes acima da cabeça, que passam velozes nos corredores da mente.
Por fim, quando parece que o corpo vai sucumbir, tamanha a dor que se sente, algo lá embaixo se rompe de forma tão dolorosa que a face transfigura-se em máscara retorcida e os dentes mordem os lábios para que o grito seja contido, enquanto o corpo todo se abre em flor e aquilo que era idéia, vê a claridade da vida pela primeira vez.
A dor cessa instantaneamente e um choro sentido, vindo do artista, ecoa mais alto que o de sua criação enquanto se abraçam e se amam.
Nesse mesmo instante, percebe-se que as lágrimas são de felicidade e tristeza, pois tanta dor, tanta apreensão e tantos cuidados não serão exclusivos de alguém... serão do mundo. Como todo bom filho também é...
Células de referências se aglomeram no útero das idéias e aos poucos se dividem e se multiplicam, formando uma esfera que se une à parede do desejo de construir o novo e aos poucos passa a desenvolver-se, sempre nutrida por sentimentos, angústias e desejos que passam através do canal da criação.
Docemente aninhada em uma confortável escuridão, a idéia cresce ajustando-se ao corpo que se ajusta à ela, ansiosa por desenvolver membros, órgãos e tecidos, até que em algum momento, começa a movimentar-se para melhor acomodação em seu espaço tão pequeno e limitado.
É aí que o artista se assusta: primeiro vem o choque de ter algo diferente e ao mesmo tempo tão igual a si próprio movendo-se em suas entranhas. Depois o relaxamento, a alegria e até mesmo comoção diante da incrível magnitude que aquele ser tão pequeno demonstra possuir.
No entanto, se a gestação vinga, mais cedo ou mais tarde é chegada a hora do nascimento.
As primeiras contrações podem ser sentidas a qualquer momento do dia ou da noite. Doem tão intensamente que não se sabe ao certo onde começam.
Além das contrações, vem um tremor que se espalha por todo o corpo, começando pela nuca. O suor escorre pelas costas e os olhos quase não conseguem manter-se abertos.
A respiração fica difícil e o peito se aperta com a vontade de segurar a mão de alguém, mas tudo o que se vê são luzes acima da cabeça, que passam velozes nos corredores da mente.
Por fim, quando parece que o corpo vai sucumbir, tamanha a dor que se sente, algo lá embaixo se rompe de forma tão dolorosa que a face transfigura-se em máscara retorcida e os dentes mordem os lábios para que o grito seja contido, enquanto o corpo todo se abre em flor e aquilo que era idéia, vê a claridade da vida pela primeira vez.
A dor cessa instantaneamente e um choro sentido, vindo do artista, ecoa mais alto que o de sua criação enquanto se abraçam e se amam.
Nesse mesmo instante, percebe-se que as lágrimas são de felicidade e tristeza, pois tanta dor, tanta apreensão e tantos cuidados não serão exclusivos de alguém... serão do mundo. Como todo bom filho também é...
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