São as gotas peroladas.
As gotas sim. Caindo lá de cima. Mas não olhe para baixo.
Não queremos ver o ferro fundido tão líquido quanto as pérolas rosadas. Não queremos vê-lo caindo em nossas costas. Vermelho, quente. Repousando com sua frieza metálica nas vértebras em formato de cuia.
As gotas salgadas de pérolas que já foram areia molhada pelo mar. Beijada pelo mar. Guardada e escondida em conchas escuras e úmidas para que pudessem ser transformadas em delicadas pedras.
Quanto tempo precisaram se esconder? Como respiravam?
E agora, por que escorrem em mim? Por que se dão ao trabalho de cobrir meu corpo com a fina camada brilhante e rosada? Por que me aquecem com o brilho metálico o ferro fundido e o resto de ouro em pó?
Nadam todos em meus sonhos em bailados suaves e frenéticos, alternando-se entre si com seus brilhos e suas cores e a audácia de tentarem me fazer sorrir.
Como podem em mim ter se escondido e agora revelam-se aos poucos?
Fui eu também uma concha? Um útero silencioso de pérolas rosadas aguardando o momento certo de seu surgimento, como as tartaruguinhas escapam de sua cova na areia quente e correm para o mar...!?
Sejam minhas e sejam suas e de quem for. Sejam pérolas. E que o ferro em meus ossos, em minhas vértebras, sirva para sustento de minha mente, câmara geradora de pérolas rosadas, fundidas em aço e ouro em pó por toda a minha própria eternidade.
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