Apresentam-se sempre em um grupo de quatro pessoas: três cavalheiros e uma formosa dama.
Cotidianamente buscam bailes de máscaras onde possam se mesclar aos demais convidados para bebericar de seus drinks e encontrar abrigos provisórios para armação de seus novos truques.
Os cavalheiros, sempre muito bem penteados e trajando terno risca-de-giz vestem máscara negra e sóbria. Sobre os lábios, fino bigode.
A dama, de vestido preto sem alças, longo, colado ao corpo, com fenda na perna direita veste máscara escarlate em conjunto com o batom. Cabelos escuros e curtos. Quase batidos na nuca. Salto fino e elegante.
Enredam histórias enquanto giram suas taças e convencem até mesmo o mais perspicaz dos advogados ou detetives. São mestres na arte teatral.
Ela com seu olhar malicioso por tráz da máscara rendada tem sempre um café crème para oferecer ao cavalheiro que lhe der a jóia mais bonita. Um bom perfume, uma umedecida nos lábios e já possui os maiores diamantes.
Eles, com seus sorrisos de canto de boca, um belo bailado e uma rosa em botão derretem qualquer donzela de belos dotes e bom gosto.
Esse é o trabalho que a vida se incumbiu de dar-lhes: o dom do embuste.
Todas as vezes em que as estrelas ameaçam se apagar e o sol se impõe na linha horizontal de suas noitadas, eles calmamente caminham até o beco mais próximo. Ela quebrando o quadril para os lados e eles jogando os ombros e segurando os ternos às costas. Dividem suas conquistas entre si, prometem telefonar-se e cada um segue seu rumo, seja pela Augusta, pela Angélica, ou pela Consolação...
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