Digo isso por esse blog aqui:
começou em uma tristeza, um rancor, mágoa, raiva... tudo de ruim. E agora não... ele está até bobo.
Eu estou meio boba. Comecei triste, emburrada, longe da vontade de viver, de seguir, de ser. Morrendo de amores, de culpa e sofrendo por isso. Todos os dias, horas, minutos e segundos eu passava sentindo falta do cheiro, do toque, da forma e tudo isso acompanhado de ranger de dentes, choro constante, acúmulo de tristeza.
Hoje, no momento em que escrevo essa postagem, me lembro que há um mês vi o objeto ou foco dessa confusão toda passar dentro de um ônibus. Depois de tanto tempo... Por segundos não nos esbarramos. Lembro-me também que chorei. Que senti doer algo que supunha já como superado. Foi o último choro.
Não deixei de amar. Tampouco continuo com raiva ou coisa parecida. Entendi o que o texto "A Comédia do coração" quer dizer com "Na parede entre o quarto do amor e do ódio há uma porta." Estou bem. Sentei-me à soleira dos dois quartos e deixo a paisagem passando. Não tirei da minha vida, apenas reorganizei o espaço onde deixo isso guardado. Fica em uma gaveta diferente, com uma etiqueta diferente.
Ainda penso no cheiro, no toque, na forma, na voz, em tudo, mas não faz mais falta. Dá saudade, mas sem dor. Nem medo.
Ainda me lembro da voz ao telefone e da cara de sono, mas tudo agora é eco.
Talvez, um dia quem sabe, as coisas aconteçam e precisemos passar lado a lado na mesma calçada. Não sei se fingirei não ver ou não conhecer. Não sei se verei em seus olhos um reflexo do passado e se o vir, o que farei. Não sei também o que dizer ou fazer para explicar o que não sei se deve ser explicado. Espero que você saiba, porque se nos encontrarmos, se nos virmos e a calçada não for suficientemente larga para nos afastar, vou pedir que me diga. E vou sorrir para você.
Not too late - Norah Jones
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