segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Imensidão

Imensidão que não se explica em pena e papel.
Imensidão do corpo que caminha descalço para a margem do lago. Do cabelo que ao ser solto chacoalha junto com o vento. Das mãos delicadas e leves que desabotoam a camisa branca de sutil transparência e a escorregam pelos braços até que também toque o chão de folhas e terra aos pés do corpo. Da agilidade dos dedos no desabotoar do jeans azul escuro que passa por toda a extensão das pernas macias.
Imensidão da renda azul desabotoada nas costas deixando a alça escorregar pelo ombro. Da renda azul que, sendo mais suave do que jeans, acaricia as mesmas pernas macias.
Imensidão do choque da água gelada contra a pele quente que se desprende do corpo e se funde com as ondulações. Do peso da cachoeira que cai nos ombros e afunda os pés no solo de terra derretida. Da visão transparente onde não se pode respirar. Do cabelo que se espalha na água; das bolhas feitas de ar.
Do corpo que emerge e da pele que se arrepia. Dos seios alvos e redondos assumindo coloração rósea ao serem fustigados pelo vento forte e frio. Do corpo lânguido e molhado caminhando de volta às folhas. Da renda azul em contraste com a pele clara. Da camisa transparente colando na pele molhada. Do jeans na mão direita, da mochila nas costas, do caminhar sob as sombras das árvores e do arrepio na alma com o apito do trem...

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