A melancolia cede lugar ao caos diário e envolta em pensamentos me pego verificando notáveis mudanças a respeito do que suponho ser eu mesma.
Tudo o que julgo, julgava ou julgarei maior do que eu tornar-se-á sempre do tamanho correto para carregar dentro da mala que chamamos vida.
Nada passa. Não com a velocidade necessária para que evitemos sofrimentos e dores. O subconsciente tem plena consciência de sua existência, mas sua generosidade o impede de trazer à tona todas as memórias que lhe cabe guardar.
Surpreendo-me constantemente ao perceber que todas as palavras estão gastas, por mais raras que possam parecer aos meus ouvidos. Todos os gestos já foram feitos e somente resta-me emudecer ante sua presença. Nada a ser dito, como da primeira vez, quando desejava recordar todos os segundos. Nada a ser feito, como da primeira vez, quando desejava esquecer todos os cheiros.
O que deverei fazer? Sou parte dessa importância concreta e informal de uma vida que não é minha, nunca foi e não será. Serei estampa? Serei som?
Serei algo dentro dessa metamorfose na qual me vejo porém não me reconheço?
Nenhum comentário:
Postar um comentário