Uma caixinha de madeira com o entalhe de uma flor na tampa. De um tamanho que cabe na palma das mãos unidas. Uma caixinha onde antes guardava anéis e um colar. Agora guarda o que mais amo em todo o mundo e em toda essa vida.
Como pode algo tão grandioso caber em uma caixinha? Como posso permitir que caiba?
Talvez por medo ou por não reconhecer a importância real disso, escondo. Está escondido debaixo da terra. Sim, enterrei a caixinha que guarda a importância mais preciosa para mim.
Para que ninguém sequer ouse se aproximar. Porque é meu e me dou o direito do egoísmo.
Minha caixinha forrada de veludo azul. Sabe-se lá que cor tem a caixinha agora. Talvez o veludo já tenha se desprendido como todas as coisas se desprendem de tudo em algum momento. Como hei de me desprender da caixinha em alguma vida.
Como hei de me desprender da vida em alguma caixinha.
Ah...! Como gostaria que a "Pedrolândia" também existisse para mim. Como gostaria de fazer como meu aluno que quando se cansa de aprender as cores ou está com vergonha ou simples cansaço, cobre o rosto com as mãos tão pequeninas e se transporta para seu reino particular. Também eu gostaria de ser invisível quando precisasse. Mas nunca, nunca seria invisível para a minha caixinha.
Nem ela para mim. Seria eu a rainha de meu próprio universo onde abriria a caixinha e deixaria a preciosidade tomar a vida que merece. Deixaria que fosse a jóia. Não de minha coroa, mas de minha vida.
Desprenderia o veludo azul para cobrir e proteger a jóia. Cantaria para ela. Mais do que contar histórias e cores, encheria de cores a história da caixinha. Seria eu a caixinha a guardar e amar a coisa com a qual mais me importo.
Isso! Não precisaríamos de mais nada. Apenas eu, a caixinha e todo o amor que se embola na gargnta agora... eu e a caixinha... eu e a caixinha...
Nenhum comentário:
Postar um comentário