terça-feira, 6 de setembro de 2011

06/09 - sex day

 Jesus Gómez Costa


 Carruço


 Carruço


 Carruço


 Toulouse Lautrec


 Toulouse Lautrec


 Michael von Zichy


 Oskar Kokoschka


 Egon Schiele


 Natalie Watson


 Miyakawa Choshun


Utamaro Kitagawa





"Os chineses antigos tinham belas metáforas para tudo o que envolvia o sexo. Chamavam, por exemplo, o ato sexual de “As nuvens e a Chuva” – o que representaria os céus e a terra a fazerem amor – e o orgasmo de “O Estouro das Nuvens”. 
E para que as nuvens estourem não é preciso amor, principalmente para os homens. 
A grande maioria dos homens separa muito bem amor e desejo. 
Há, sim, como desejar, e muito, sem amar. 
Sexo é prazer. Ponto. Sexo sem carinho é prazer. Sexo com carinho é muito prazer. Sexo com amor é quase uma experiência mística. 
Talvez por isso as mulheres (grande parte) não conseguem separar, como os homens, sexo e amor. 
Parece que as mulheres sentem o prazer sexual de uma forma diferente, uma espécie de prazer psicológico muito forte, na consciência do desejo. O que não quer dizer que elas devem abrir mão do prazer físico. 
É lindo ver uma mulher durante o orgasmo. 
É lindo ver o êxtase, o torpor, o abandono a que elas se entregam. 
A mulher, quando atinge o orgasmo, sente a terra se mover. 
A mulher, quando goza, tem sua alma expandida; seu corpo inteiro é sensação. Por isso, de alma expandida, com o corpo inteiro sentindo a si mesma, ao homem, a terra e ao céu, é tão fácil para a mulher o recomeço, a continuidade. 
O homem, quando goza, é triste. 
É triste porque é término. 
É triste porque ele não pode se abandonar a si mesmo, pois se cobra o recomeço. E o recomeço não é tão imediato. 
O homem separa muito bem amor e desejo. 
Mas o homem, por ser triste o orgasmo masculino, por ser vazio comparado ao da mulher, precisa bem mais do carinho, do amor. 
É no carinho, ou no amor, refletidos no abraço, no aconchego após o orgasmo, que o homem pode completar seu caminho para as nuvens. 
Sem carinho, sem amor, depois que goza, o homem fica no limbo. Nem toca a terra, nem atinge o céu. 
E é o carinho, ou o amor, que tornam, para o homem, mais fácil o renascer do desejo. 
O amor é lascivo, se excita com a lembrança, com o pensamento, com o cheiro. O amor antecipa o toque. 
O desejo mora na ponta dos dedos, e o amor no abraço dos olhos. 
O amor abraça, acolhe, conforta e aquece com o olhar. O olhar do amor percorre a espinha e arrepia, desnuda o desejo e excita. 
O amor não veste roupa e vai embora. Ele deita e deixa o corpo secar na quentura do outro corpo. 
Mas não é fácil conciliar amor e desejo. 
Quando se tem carinho por quem se tem desejo, já é uma conquista. 
Mas o fato é que o amor intensifica o desejo. 
O amor é o desejo que contraria o desejo de não desejar. 
O homem nunca vai abrir mão do desejo, com ou sem carinho, com ou sem amor. 
A mulher não deve abrir mão do desejo, mesmo com carinho, mesmo com amor. 
Nem sempre se acha o amor, ao esbarrar com o desejo. 
Mas o desejo vem de carona com o amor. 
O desejo é a pele do amor. "
Steller de Paula


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