Subia aquela rua como em todas as outras noites. Sabendo que era olhada e até mesmo comida com os olhos.
De vez em quando escutava alguma mulher dizer baixinho "essas putas..."
Achava que era despeito. Afinal, quantas podem ter esse corpo? Quantas são chamadas por homens como ela era? E melhor: quantas recebiam por isso?
Entrou em um bar e comprou uma cerveja. Geralmente não bebia em serviço, mas estava uma noite tão quente! Subiu um pouco mais a saia do vestido que marcava suas curvas e sentiu bater um ventinho em suas pernas. Cócegas... sentia isso sempre que estava sem calcinha.
Um cara, ou como ela dizia entre risadas para as amigas, um distinto cristão precisando de dádivas, aproximou-se e, de cabeça baixa perguntou quanto era.
Ela observou que faltavam o carro e o terno, mas estava de tão bom-humor que deu um preço qualquer achando que ele sairia logo dali.
Ele apenas perguntou se ela preferia receber antes ou depois de acabarem.
Arqueou as sobrancelhas e disse que ele poderia deixar o dinheiro na mesa de cabeceira quando saísse.
Ele então puxou seu corpo para mais perto e esfregou-se nela.
Ela tentou se soltar e dizer que precisavam ir para algum lugar, que não poderiam fazer na rua... a polícia nunca encanou com ela, mas ela também não era besta de se arriscar.
Não teve tempo. Ele a girou de costas e empurrou contra um muro. Ela queria gritar, mas sabia que isso só chamaria a atenção. Foi sendo empurrada para dentro daquele estacionamento escondido pelo mato, na curva da Caio Prado. Tentou esquivar-se, mas sentiu seu corpo paralisado quando um cano frio de metal encostou em sua bunda. Fechou os olhos quando ele abaixou seu zíper e penetrou com força, quase machucando. Deixou que ele terminasse.
Quando acabou, ela sentia-se cansada e estranha. Quase triste.
Ele retirou uma lata de dentro de um dos bolsos da jaqueta e pichou uns tijolos empilhados ao lado de onde estavam. Desenhou com a tinta preta o formato torto de duas gavetas. Jogou um pequeno bolo de notas amassadas e foi embora.
Ela só teve tempo de cuspir o resto da cerveja que ficara em sua boca.
Abaixou-se, pegou o dinheiro e seguiu em direção à sua casa para limpar-se e refazer a maquiagem pois ainda eram apenas onze horas de um longo sábado de trabalho naquele inferno de poucos quilômetros...
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