O que se faz durante o poslúdio?
Fica-se em pé e aplaude ou abaixam-se as cabeças e o choro ecoa?
O que o som do bandolim te diz em seus lamentos, ao negar seu parentesco com o alaúde?
Que se faz ao ver que não possui ânima e que o tempo vai correndo feito rio dotado de meandros desabando em cachoeira?
Como se traça um campo semântico ao redor de todo o ser onde a tentativa é estabelecer a complexa composição do que é a vida?
Onde habitam os desejos e a vontade de insuflar vigor aos velhos e decaídos sonhos?
Onde se encaixam as estradas que se transformam em pó ao desistirem de suas buscas pelo horizonte?
Como se contam os dias já passados sem que a tristeza inunde o peito cansado feito água barrenta que devasta árvores e destrói o caminho?
Que se faz quando tudo o que sobra cabe um uma caixa mínima e nas paredes da caixa tudo o que não há é resquício do que já se foi?
O que se diz quando as vozes se calam e o silêncio grita tão alto que os ouvidos sangram?
Quem sabe como se retira o véu do impossível, do infinito, do entardecer, que nos olham sem piedade?
O que se faz durante um poslúdio, quando o próprio músico nos olha com olhos lacrimosos perguntando silenciosamente quais perguntas estamos fazendo...?

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