sexta-feira, 26 de agosto de 2011

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É bem assim que acontece: do nada. No de repente.
Não é dor. É peso.
É uma coisa que aperta, esmaga e sufoca. Faz como se fosse uma grande carga, um fardo realmente pesado bem em cima das costas, nos ombros, que empurra a barriga para dentro, o peito para baixo e os ombros para frente.
Quase não posso suportar. Me faz querer vedar as janelas e lacrar as portas, mas essa coisa escorre pelos vãos... ai, é tão difícil... não sei nem como denominar... não sei se chamo de culpa, de pesar, não sei, só queria que passasse, que acabasse...
Me prende. Me deixa catatônica. Não posso olhar para os espelhos, nem acender as luzes. Desligo os telefones e me fecho. É como se fosse uma espécie de cortina que está bem na minha frente e ao mesmo tempo, tem um pouco de pano enfiado em minha garganta. O ar não passa. Nem para dentro, nem para fora. Me dá náuseas e sono. Uma vontade de me embolar num cantinho e dormir sem previsão de acordar. Não para sempre. Nada é para sempre. Nem o fim. É uma espécie de desconforto, de incômodo. Vontade de sair gritando. Nem chorar consigo, parece falseado qualquer soluço. Me oprime. Aperta. Meio que me desespera, mas a resposta é a catatonia.
O médico falou para evitar isso, para ver gente... que não queremos uma esquizofrenia a longo prazo, não é mesmo!? Como ele se acha no direito de me perguntar sobre o que eu não entendo? Como me manda ver gente!? A culpa é dessa tal gente que ele tanto quer que eu veja! Por que é que eu tenho que sorrir plastificadamente para pessoas que são tão esquizofrênicas quanto eu? Que também precisam ver gente???????? 
Por favor! Não posso com isso... nem acredito nesse imbecil que quer me fazer tomar mais remédios do que realmente devo... e ainda me diz que eu estou certa em querer sair dessa "sozinha"...
Na boa, a coisa tá apertando. Não vai rolar segurar tudo isso por muito tempo não... e dessa vez não vai ter ninguém pra perguntar porque tanto silêncio aqui, entrar derrubando as coisas e se fazer de Paladino da Esperança não... Não vai dar tempo... não vai não... essa coisa vai me engolir antes.

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