segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Na margem do rio

Deslizou até a margem onde ele estava sentado de olhos fechados e ficou olhando como o sol atacava suavemente aquela pele.
O formato do nariz que ela adorava. Desceu os olhos pelo queixo coberto pela barba. Olhou do pescoço até os ombros. Deteve seus olhos por um instante na tatuagem que havia no braço, depois continuou observando o peito aberto para receber calor. O colo, as pernas esticadas. Todo ele estava para o sol e ela sentia-se tentada a sair da água e encaixar-se ali, deixando esquentar-se também.
Mergulhou mais uma vez e viu quando ele abriu de leve um dos olhos e a olhou de soslaio deixando escapar um sorriso de canto de boca, jogando a cabeça para trás como se lhe dissesse que era bem-vinda em seu corpo.
Sorrateiramente foi saindo da água, sentindo o peso que escorria por seu corpo e devagar aconchegou-se em cima daquele corpo quente pelo sol. Sentiu toda a pele dele arrepiar-se sob a pele molhada e gelada que era dela e que agora estava aquecendo-se não só pelo calor que vinha dele, mas também pelo desejo que sempre tomava conta de todas as partes de seu corpo todas as vezes que o via, ouvia ou tocava-o.
Beijou-lhe as faces e sentiu a pele dele esticando-se com um sorriso. Beijou todas as dobrinhas que os olhos faziam nos cantos e finalmente desceu para os lábios. Ela mesma implorava por dentro por aqueles lábios.
Enquanto experimentava beijá-lo como se fosse a primeira vez, não conteve suas mãos que pressionaram a nuca e puxaram de leve os cabelos. Sentiu imediatamente que ele reagia. 
Abriu os olhos e viu-se observada também. Uma corrente elétrica passou por seu corpo e seus lábios foram escorregando e traçando o mesmo trajeto que os olhos traçaram quando ainda estava dentro d'água, detendo-se apenas quando sentia-o contrair-se e ofegar.
De repente viu-se girando e sentiu o peso do corpo dele por sobre o seu e o calor que sentia agora vinha não do sol, mas daqueles olhos que a devoravam.
Sentiu-se devorada por olhos, lábios, mãos e entregou-se deixando inundar-se por poesia física. Mordeu os lábios, o pescoço e a tatuagem. Tremia. Mergulhou seus olhos nos olhos dele e ambos ouviram seus sons cantando em uníssono as mesmas notas de satisfação. 
Deitou em seu colo e lentamente escorregou para dentro d'água de onde observou seu corpo sentado tomando sol.
O formato do nariz que ela adorava. Desceu os olhos pelo queixo coberto pela barba. Olhou do pescoço  até os ombros. Deteve seus olhos por um instante na tatuagem que havia no braço, depois continuou observando o peito aberto para receber calor. O colo, as pernas esticadas. Todo ele estava para o sol e ela sentia-se tentada a sair da água e encaixar-se ali, deixando esquentar-se também...

Nenhum comentário:

Postar um comentário