quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Que dia, viu!

Azar pouco é bobagem, não acham?


Pensem em uma garota.
Essa garota saiu de casa antes das 8h, o que significa que ela acordou cedo.
Muito bem. 
Todas as vezes em que ela acorda cedo fica com um ligeiro mau humor.
O.k. tudo normal até aí.
Ela acordou, se arrastou pra fora do edredom, entrou no banheiro já ligando o chuveiro e tomou um banho. Não lavou os cabelos para não ter que secá-los. Praticidade.
Saiu do banho ainda andando torto por causa do sono. Molhou metade do chão do apartamento e soltou um palavrão quando o gato, todo fofinho e carinhoso roçou por entre seus tornozelos e deixou um ligeiro rastro de pelos felinos na pele que ainda estava molhada. 
Colocou ração no pote de comida e voltou para o chuveiro para tirar os pelos grudados nas pernas.
Ligou o rádio e se animou um pouco.
Abriu a gaveta de calcinhas e escolheu por cor, que era tudo o que podia enxergar.
Vestiu a calcinha e pegou o pote de creme. Passou creme no corpo todo e colocou um sutiã que aparentemente era da mesma cor da calcinha.
Abriu o armário e teve um pequeno momento depressivo. Pegou um vestido preto de florzinhas, com alças fininhas, comprimento um pouco acima dos joelhos e tecido soltinho. Vestiu-se, calçou um chinelinho, colocou brincos pequenos e enrolou um colar no pescoço. Soltou os cabelos e passou os dedos para desfazer alguns nós.
Abriu a geladeira e sentiu vontade de tomar água de coco. Não tinha. Tomou suco de jabuticaba.
Passou desodorante e perfume. Pegou uma bolsa de pano e um fichário.
Abriu a janela e colocou a cabeça para fora. Fechou a janela e pegou uma jaqueta. Desligou o rádio.
Destrancou a porta , saiu, trancou a porta e chamou o elevador.
Fez suas tarefas normais da manhã.
Por volta da hora do almoço voltou para casa. No meio do caminho havia o quê? Um vendedor de água de coco! Ai, que lindo!
Parou porque ainda queria água de coco. Mas o cara vendia aqueles em que você toma a água no próprio coco, sabe!? Claro que ela ia comprar assim mesmo, porque nunca, nunca, nunquinha ela pensaria em entrar num shopping ou qualquer outra coisa e comprar uma garrafinha de água de coco...
Enfim. O que aconteceu enquanto ela pedia o coco?
Passou um ônibus. Um ônibus não. O ônibus! O fato de ter um horário a cumprir fez com que ela pegasse o coco das mãos do vendedor, dissesse "precisa abrir não! brigada", desse o dinheiro para ele e saísse correndo para pegar o ônibus.
Pois bem. Ela foi em pé, segurando a bolsa no ombro, o fichário em uma das mãos, a jaqueta no braço e um coco na outra mão.
Tranquilo... sem problemas.
Chega em casa, onde está a chave? Onde? Cadê? Aaaaaaaahhhhhh, dãh! Óbvio, né que ela ia fazer de novo. Desde que se mudou e passou a morar sozinha, é mestra em esquecer a chave na fechadura da porta de casa...
Interfonou para o vizinho porque sabe os horários dele e ele estava em casa almoçando. Depois de alguns segundos de piada via interfone, ele abriu a porta do prédio e ela entrou. O elevador estava em manutenção. Praguejou e amaldiçoou o dia em que resolveu se mudar do 5° para o 7° andar e foi de escada.
Abriu a porta que já estava com a chave na fechadura e entrou.
Colocou o coco na pia e largou as coisas em cima da cama. Tirou os chinelos, prendeu o cabelo em um rabo de cavalo, tirou os brincos e lavou as mãos.
Vasculhou a geladeira e achou um pouco de homus que havia feito há uns dois dias e pão sírio que sempre compra.
Colocou tudo em cima da pia e viu o coco. Pegou uma faca grande e... e... e... viu que era a coisa mais difícil do planeta! 
Resumo: meia hora depois o coco foi aberto e ela tinha apenas quinze minutos para comer, beber, arrumar superficialmente o apartamento e esperar seu aluno chegar.




Agora digam: azar pouco é ou não é bobagem!?

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