terça-feira, 16 de agosto de 2011
Qualquer coisa de saudade
Aqui no peito tem qualquer coisa de saudade. Carta sem endereço. Sentimento que trocou de destinatário, mas não escreveu o novo cep...
Tem qualquer coisa de vontade, de desejo, de recusa.
Uma fome calma e lenta que devora as beiradas do amor. É, amor. Eu disse amor sim ou você acha que não era amor?
Tem aqui qualquer coisa de saudade. Pedaços de abraços que eu consegui juntar e emoldurei pra nunca esquecer. Primeiro abraço. Abraço de alívio. Abraço de dor. Abraço de felicidade, de carinho, de despedida...
Todos esses fragmentos em uma moldura gigante. Gigante e fria.
Qualquer coisa de saudade tem aqui. No peito, no colo, nos olhos, no sorriso ralo domingo de manhã, que era quando sempre ganhava abraços e beijos. Sol batendo nas costas, colorindo e marcando a pele.
Marcando... marcou. Marcou feito ferro em brasa que queima profundo e deixa relevo. Relevo do teu perfume, do teu sabor de cigarro, do teu gosto, tuas músicas, teus filmes, livros e riso... Riso silencioso só de olhos.
Olhos que calavam o brilho da lua e a única estrela que conseguíamos ver através da janela. Olhos que diziam em silêncio absoluto toda a felicidade, toda dor ou todo luto.
Olhos que hoje deixam qualquer coisa de saudade aqui no peito, no jeito, na alma, nos cabelos e na minha vida.
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